A conta do mercado vai subir: o impacto direto do El Niño em SC

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A intensificação do fenômeno El Niño traz reflexos diretos para o bolso do consumidor em Santa Catarina. Com previsão de que o auge do fenômeno ocorra entre os meses de novembro, dezembro e janeiro, o clima pode se manifestar por meio de chuvas excessivas, estiagem e ondas de calor que ameaçam prejudicar as plantações, reduzir a oferta de alimentos e pressionar os preços nos supermercados catarinenses.

O impacto econômico ocorre em cadeia e atinge diferentes setores da produção do estado, variando entre altas imediatas e pressões de custo a médio prazo.

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O impacto direto nas principais cadeias de consumo

  • Frutas e Hortaliças (Efeito Imediato): Por serem alimentos altamente sensíveis e dependentes das condições climáticas, as frutas e hortaliças sofrem de forma rápida com as variações do tempo. A perda de produtividade decorrente do excesso de umidade reduz a oferta de forma imediata, gerando as primeiras altas perceptíveis nos mercados.
  • Cadeia de Carnes: O milho e a soja são insumos essenciais para a alimentação dos animais. Eventuais perdas de produtividade ou prejuízos no desenvolvimento desses grãos elevam os custos de produção dos produtores, repassando a pressão financeira ao longo de toda a cadeia até chegar ao preço final das carnes nos supermercados.
  • Trigo, Aveia e Arroz: O excesso de chuva e a alta umidade do solo na Região Sul são prejudiciais ao desenvolvimento de cereais como o trigo e a aveia, especialmente durante os meses de setembro e outubro, período em que ocorrem as fases críticas de floração, enchimento de grãos e maturação. O arroz e o feijão também estão entre as culturas mais expostas a essas alterações.

A gravidade desse cenário é confirmada por dados históricos da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) de 1996 a 2025: em períodos chuvosos sob influência do fenômeno, a produtividade do trigo em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul ficou 80% abaixo da média, enquanto a da aveia registrou queda próxima de 60%.

A dinâmica dos preços e a infraestrutura

A alta nos preços não ocorre de maneira uniforme. Enquanto frutas e hortaliças reagem rapidamente devido à sua sensibilidade climática imediata, a cadeia de grãos e carnes absorve o impacto de forma gradual, de modo que a conta mais pesada para o consumidor pode se consolidar apenas nas safras seguintes.

Além disso, os estragos econômicos do El Niño vão muito além do campo. O clima extremo também pode provocar enchentes e deslizamentos que danificam estradas e pontes, elevando os custos com transporte e logística, além de exigir que o poder público redirecione grandes volumes de recursos para a reconstrução de infraestruturas.

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